Refletir sobre o próprio trajeto e formação como leitor é um importante exercício para que possamos nos conhecer como sujeitos de nossa própria aprendizagem.
Para tentar descobrir como aconteceu minha formação como leitora e por que tormei-me uma apaixonada pelos livros, resolvi traçar o meu caminho e minhas vovências leitoras, escrevendo um livro.
Para que você, leitor deste blog, conheça um pouco desta envolvente história, publico aqui dois capítulos do meu livro que, por enquanto, tem apenas 13 capítulos, sob o título de "Memórias de uma professorinha". Espero que gostem!
"Capítulo 4. Vamos à escola?
Sete anos! É chegou ao momento tão esperado! Mônica vai à escola finalmente!
Ela não se lembra mais dos coleguinhas, mas lembra-se muito bem do grupo escolar. Não ficava muito longe de sua casa, mas dona Elza, sua mãe, fazia questão de ir levá-la e buscá-la. As salas de aula eram pequenas, limpas e organizadas, a diretora era muito brava. No intervalo havia merenda, mas todo dia, dentro da lancheira, tinha um lanchinho preparado por sua mãe: pão com manteiga ou goiabada ou bolo e uma jarrinha de suco.
A primeira professora, Dona Altair, foi quem lhe ensinou as primeiras letras e números. A cartilha era a Caminho Suave. Que alegria e que festa quando, já quase ao final do ano, a professora presenteou a classe com o livro II da Caminho Suave. Esse era o sinal de que todos já sabiam ler.
A parti daí, a pequena Mônica começou a decifrar o segredo daquelas letrinhas que havia em seus livrinhos e o mundo pareceu-lhe tão grande, tão cheio de mistérios e segredos que nunca mais ela quis parar de ler.
5. Brincando de professora.
Depois que aprendeu a ler e escrever, Mônica começou a levar para seus irmãozinhos tudo o que ela aprendia na escola e eles foram, sem saber, suas cobaias na arte de ensinar. Dentre as brincadeiras preferidas da turminha brincar de escolinha era uma das preferidas e adivinha quem era a professora? Se você disse: a Mônica! Parabéns! Você acertou! Nota Dez!
Vendo as habilidades de leitura da menina, a mãe e a vovó Leonny não pouparam esforços e livros começaram a chover na vida da menina: Dos contos de fada vieram povoar os sonhos da menina a Cinderela, a Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, os lobos maus, as bruxas, duendes e dragões. Vieram os primeiros clássicos da literatura universal: Robinson Crusoé, Ivanhoé, Viagens de Gulliver ... , também os personagens de gibis: Donald e seus sobrinhos, a Maga Patológica e a Madame Mim, Pateta e Mickey, Fantasma, Superman, Flash Gordon, Thor, Príncipe Namoor, Hulk ...
Vovó Leonny presenteou sua neta com uma assinatura da Revista Nosso Amiguinho que trazia histórias, curiosidades e passatempos. Tudo era devorado pela menina. Entretanto, o que mais lhe marcou a vida de leitora foi quando aos dez anos mais ou menos ganhou da mãe a primeira coleção de livros: O sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato.
Aí a menina viajou de vez no mundo da literatura. Imaginem a felicidade dela: todos os personagens dos contos de fadas, que ela já conhecia, visitando o sítio de Dona Benta e vivendo mil aventuras com Pedrinho, Narizinho, Emília e Visconde. Não demorou muito tempo para que os dezessete volumes da coleção fossem lidos pela menina que reunia os irmãos à sua volta e lia para eles.
Logo as personagens do sitio do Picapau Amarelo estavam participando das brincadeiras e fantasias de Mônica e seus irmãos, no jardim encantado que era o quital de sua casa. Um dia a irmã, Soraia, pegou um guarda-chuvinha, abriu-o, foi para as escadas que dava para o jardim e disse: “Vou voar igual Peter Pan!” Antes que a Mônica pudesse impedi-la, ela vou escada abaixo. Imaginem, quem apanhou pelo fato ocorrido?
Nos dias de chuva, dona Elza fazia os tradicionais bolos e mingaus e ficava todo mundo preso em casa. A sala e os quartos viravam esconderijos, pura brincadeira e bagunça. Até dentro dos guarda-roupas “os tesouros” do Capitão Gancho eram escondidos e Mônica e seus irmãos viravam a turma do Peter Pan ou da Narizinho. Quando a turma se cansava, iam todos para a cama e lá a menina continuava a leitura dos livros de Lobato".
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